Imagem

A diferença entre um bom contador de histórias e um excelente contador de histórias

Eu vou te contar um segredo. Vou te contar uma das diferenças entre um bom contador de histórias e um excelente contador de histórias. Algo que definitivamente não é visível mas que fundamentalmente faz toda a diferença.

Como ouvintes, queremos ouvir uma história que passa pela sua boca como uma experiência vivida.  

Contadores de histórias, sejam eles professores, advogados, terapeutas, executivos, editores, avós, pais, colegas de trabalho, amigos, seja lá à partir de qual papel você está compartilhando uma história, quem está ouvindo vai se conectar melhor com a história se ela for algo que você viveu e não apenas decorou.

Como assim Anna, então quer dizer que só posso contar histórias biográficas, de coisas vividas e não mais de coisas inventadas? 

Não necessariamente. O que estou querendo dizer aqui é que histórias nascem por alguma razão. Elas descrevem lugares, personagens e circunstâncias da maneira que estão descrevendo, por uma razão. E essa razão é compreendida de formas diferentes por cada ouvinte, mas independente de qual razão seu ouvinte conseguiu compreender por trás da história, é preciso que a história seja sua para compartilhar. 

Se ela não for sua, mesmo que seja biográfica, metafórica, de autoria própria ou inclusive de outra autoria, então o contador de histórias vai precisar se apropriar dela. Não são apenas das palavras que descrevem um lugar distante que precisamos nos apropriar. Ir até lá apenas no seu intelecto não vai ser suficiente para conectar realmente com seu ouvinte. Ele vai perceber que a história não é sua. E por um momento ele vai se questionar se vale a pena abrir espaço e tempo para te ouvir. 

E num mundo altamente tecnológico e virtual, onde micro segundos de atenção são fundamentais, a pessoa que está consumindo “você” quer sentir que você é “real”. 

E como fazemos então para nos apropriar da história?

Nós damos a mão para a nossa imaginação. Quanto mais nutrida ela for melhor será esse trabalho de apropriação, convocamos nossos sentidos e partimos. Se a história é no Egito antigo, então fechamos nossos olhos e vamos para o Egito antigo. Como eram as casas? Qual o cheiro que tinha no ar? As cores predominantes? E o som? Em qual estação do ano você está? Como são as pessoas? Ande pela cena, absorva a cena, sinta a cena. Você vai precisar abrir espaço e tempo para fazer esse exercício, mas te garanto que ele vai fazer toda a diferença na sua contação.

Claro que aqui estou falando de forma breve, mas fundamentalmente, é isso. Vá até lá, ande por lá, fale com as pessoas da história, passe um tempo lá, coma por lá, entre no rio, segure a espada na mão, suba no cavalo. Aos poucos lá será aí. E aí, é dentro do seu coração e não mais só dentro da sua cabeça. 

Experimenta abrir esse espaço e tempo para dar um pulinho sem pressa lá na história. Esqueça as palavras e se concentre no lugar e depois volte. Você não vai contar tudo o que viu e ouviu lá, isso vai depender do tempo disponível para contar essa história e do quanto quer engajar ao compartilhar, mas com certeza aquilo que você escolher contar será porque você esteve lá. As palavras que saírem pela sua boca não serão somente à partir do seu intelecto mas principalmente à partir dos seus sentidos assim. Essas palavras serão a sua experiência. Já pensou termos a oportunidade de vivenciarmos as histórias que contamos? Quantos aprendizados e experiencias poderíamos viver? O quanto vamos ampliar nosso mundo e trabalhar nossa empatia, nossa capacidade de resolver problemas diferentes à partir de exemplos diferentes? Se soubéssemos aproveitar o poder das histórias no nosso caminho evolutivo, se escolhêssemos abrir esse espaço para elas, provavelmente muitos dos desconfortos e mazelas que experimentamos, diminuíram.

Abraços e boas experiencias… ou melhor, boas histórias!

 

Você também pode gostar de…

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

pt_BRPortuguese