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What is contotherapy?

Começando pelo básico 

O que é Contoterapia? Bom, a palavra terapia no dicionário é descrita como o tratamento que busca amenizar ou acabar com os efeitos de uma doença (física, psíquica, motora, etc). Técnica que trata doenças ou problemas psíquicos. E o conto é uma narrativa breve e concisa, contendo um só conflito, uma única ação.

Segundo a wikipedia, conto é uma narrativa que cria um universo de seres, de fantasia ou acontecimentos. Como todos os textos de ficção, o conto apresenta um narrador, personagens, ponto de vista e um enredo. 

Encontramos contos de diversas formas; contos folclóricos, maravilhosos, de fadas, mitos, lendas entre outros. Inclusive podemos encontrar ou criar contos biográficos.

Então veja, contoterapia é o uso de contos para fins de tratamento ou alívio de sintomas. É uma maneira de trabalhar temas humanos complexos de forma leve e transformadora. O contato frequente com contos e histórias alivia desconfortos, gerados pela fricção da nossa atual subjetividade em nossas relações e com a realidade externa.

Na sua esmagadora maioria, o uso de contos para este propósito se destaca principalmente para o desenvolvimento da inteligência emocional. É utilizado nas mais diversas áreas: psicologia, educação, programação neurolinguística, religiões, terapias integrativas, e muito mais. Isso sem mencionar o conceito de storytelling, seu uso tão difundido na indústria do entretenimento. No mundo corporativo para fins de marketing, que, de uma forma ou de outra, impactam na subjetividade do indivíduo e no seu processo de autoconhecimento.

Benefits

São inegáveis os benefícios do uso do discurso indireto, característico nesse universo de contos. Dos símbolos e metáforas quando falamos de desenvolvimento humano e construção de subjetividade. Principalmente porque eles alcançam profundidades, abordam com mais sucesso complexidades inerentes ao ser humano ao driblar a lógica, a análise, filtros morais, crenças da mente consciente e inconsciente.

Emprestando de forma simplificada o modelo trino do aparelho psíquico de Freud, para explicar e organizar o funcionamento da mente consciente, subconsciente e inconsciente. Os contos trabalham fundamentalmente na camada subconsciente da nossa mente, a camada da memória menos recente, dos sonhos, da produção de símbolos e imagens e o reino da imaginação. 

Sim, porque para trabalhar com contos precisamos trabalhar com a imaginação, com a intuição. O trabalho do contador de histórias é colocar imagens em ação entre ele e seu ouvinte. É proporcionar movimento. Ao contar histórias o objetivo é estimular o movimento em direção à cura.

Palavra Contoterapia

Nesse sentido, contoterapia é apenas uma palavra que descreve com mais clareza a razão de se usar contos naquele contexto. Não é para vender produtos ou serviços, não é para entreter, é, em alguns casos, para educar, mas é principalmente para desenvolver inteligência emocional, resiliência e empatia construindo a subjetividade da pessoa com o objetivo de harmonizar e equilíbrar. E bem, o ser humano usa histórias desde que ele é ser humano.

Então eu arrisco dizer que a contoterapia é tão antiga quanto os seres humanos. Afinal, o que será que faziam os guias espirituais, das antigas civilizações, quando entravam em transe para fazerem suas buscas no plano astral e espiritual e retornavam para contar as histórias do que viram por lá?

Metodologia na Contoterapia

Entendemos então que, aqui no nosso contexto, a contoterapia é o uso dos contos na busca por amenizar sintomas de ordem psíquica e emocional, impacta na construção da nossa subjetividade e no processo de auto conhecimento. E isso é o nosso O QUE. Agora, COMO podemos fazer isso? Com certeza de diversas formas, tantas quanto o ser humano descobrir e desenvolver. 

Onde temos contoterapia

Eu já vi contoterapia em muitos e muitos lugares. Alguns usavam a palavra contoterapia para descrever suas ações, outros usavam contos para amenizar sintomas e construir subjetividade sem necessariamente usar a palavra contoterapia – o que de forma alguma excluí a compreensão de que o que acontecia ali era contoterapia, mesmo que o nome fosse outro ou que nenhum outro nome fosse usado.

Ninguém é criador de contoterapia, não se engane se alguém te disser que esse trabalho é inédito, único ou exclusivo de uma pessoa ou instituição. Muitas e muitas pessoas, no mundo todo, vem desenvolvendo a muito tempo seus trabalhos em contoterapia. 

Desde 2014 venho utilizando os contos com essa intenção terapêutica. A construção da metodologia aqui aconteceu de forma empírica no começo.

Eu utilizava contos, associava esses contos à outras abordagens de terapias integrativas como a Reprogramação Biológica®. Ela trata doenças biológicas com informação e conscientização da nossa percepção de mundo. Baseando na Nova Medicina Germânica, Conceitos das Constelações Familiares Sistêmicas, PNL, entre outras. Assim como também na Comunicação Não-Violenta, Tarot Sistêmico, Barras de Access, Reiki, AIM, Personal and Self Coaching e muitas outras.

O nome mais adequado para descrever o nascimento dessa metodologia e abordagem terapêutica que utiliza contos seria mesmo contoterapia. 

O que percebi

Entre 2015 e 2016 percebi que precisava fazer um ajuste fino nesse meu olhar para o processo de uso de contos e abordagens terapêuticas. Eu achava que quem vinha primeiro eram as abordagens terapêuticas e depois os contos, pois cronologicamente fazia sentido isso na minha trajetória profissional.

Foi uma diferença sútil e ao mesmo tempo uma grande lição de humildade, perceber que na verdade, os contos vem muito antes de qualquer abordagem, técnica ou metodologia que poderemos desenvolver e que venham a se utilizar deles como ferramenta ou agente de mudança.

Re-conheci que os contos estão no mundo a muito mais tempo do que qualquer um de nós, que são tão generosos que nos possibilitam associar qualquer abordagem que trabalhe com desenvolvimento humano à eles.

Então em 2016, quando além do ambiente presencial, começou-se as divulgações virtuais em redes sociais, uma amiga e consultora em desenvolvimento de negócios me aconselhou a registrar a marca Contoterapia® no Brasil. Onde baseia-se em uma metodologia que utiliza os contos como parte do seu trabalho, tanto os contos já existentes quanto criando novos contos.

Utilizar contos foi e ainda é como plantar uma semente, uma imagem, de reprogramação mental para resolução de conflitos e momentos desafiadores, e isso certamente pode ser feito com outras técnicas.

Arquétipo das histórias

Afinal de contas o arquétipo das histórias, de forma bem resumida, está narrando o movimento de um lugar limitado para a superação desse limite. E convenhamos, conforme vamos avançando como sociedade e como seres humanos, também nossas necessidades vão se diferenciando. Nossos limites e superações vão mudando, e assim cada vez mais técnicas são desenvolvidas e elaboradas para nos ajudar com os nossos desafios e superações.

Esfera

Considerando que somos pessoas diferentes e com necessidades diferentes, é natural que diferentes abordagens e técnicas sejam desenvolvidas. Nesse sentido a Contoterapia® é uma metodologia inclusiva, apesar de ser registrada, me garantir o direito legal e jurídico de uso de marca.

Ela não é exclusiva, pois ela foi pensada de maneira que qualquer um tenha espaço para inserir sua área de especialidade, sua técnica, dentro dessa abordagem e mesmo assim poder dizer que está praticando contoterapia.

A Contoterapia® é democrática

Reconhece que estamos sempre em evolução e adaptação e que usar histórias é algo que todos podemos fazer. 

Atualmente muita água já passou por baixo dessa ponte. Estar em contato com pessoas do mundo inteiro, com projetos, com profissionais das áreas de saúde, professores, contadores de histórias, voluntários em países em conflitos, vem me mostrando que realmente a contoterapia acontece em muitos lugares. Cada um desenvolve formas diferentes de encaixar os contos para necessidades e abordagens diferentes e isso também é contoterapia.

Se você contou histórias para nutrir ou sanar algum desafio ou comportamento, com ou sem metodologia, influenciado apenas pelo poder do conto ou tendo algum conceito ou formação por trás da sua ação, parabéns. Você foi naquele momento um contoterapeuta. E veja, não estou nem descriminando se é contoterapia infantil, se é contoterapia é para adulto, adolescente, pois é para o ser humano.

Mercado na Contoterapia

No que tange regulamentação, profissionalização, cursos e formações, propriedade intelectual ou qualquer coisa nesse sentido. Não existe nada que regule esse “mercado”. Seria até estranho, você concorda, dizer que o uso de algo tão antigo quanto os contos ou quanto contar histórias, seja algo único, inédito ou exclusivo de uma determinada abordagem terapêutica.

O que claro, não impede que cada pessoa possa desenvolver suas próprias metodologias, expressando suas experiências e singularidades na combinação do uso dos contos com qualquer outra prática, afinal de contas é o que venho fazendo.

Mas então como fazer para escolher a contoterapia que mais atende minhas necessidades, como escolher qual contoterapia fazer ou estudar?

Bom, para responder essa pergunta vou te contar uma breve história…

O velho mestre convocou a aluna mais querida e entregou-lhe um livro.

“Você segura em suas mãos tudo o que eu ganhei através de anos de meditação e estudo. Valorize este livro com a sua vida.”

A discípula se curvou diante do mestre e, sem hesitar, jogou o livro em uma braseiro próximo, onde as chamas o consumiram rapidamente. 

Ela se tornou a nova mestre. 

Em outras palavras, pesquise, se informe. Descubra onde você quer chegar e o que precisa para chegar lá, descubra quem pode te oferecer isso, consulte sua intuição, estude, estude e estude mais um pouco.

Contudo, pratique muito, experimente, registre, persevere, mas principalmente, nessa jornada escolha um caminho que lhe permita que você se torne o seu próprio mestre.

Nessa área de contos e histórias, a pessoa se torna um mestre quando percebe que é ela que serve as histórias, não são as histórias que servem ela. O seu servir pode vir de muitas formas. 

Exemplos de contoterapia no mundo – uso prático

Pelo que você viu até agora, imagino que já tenha percebido que contoterapia é um campo muito amplo, generoso e inclusivo o suficiente para abrigar diferentes abordagens, metodologias, técnicas e maneiras de executá-la.

Vamos então descobrir algumas formas pelas quais as pessoas utilizam as histórias para construir a subjetividade, trazendo harmonia e equilibrio para a vida umas das outras?

Há uma prática que aprendi com o meu professor de storytelling, aqui na faculdade antroposofica em Sussex na Inglaterra. Sempre que tenho oportunidade busco fazer nas oficinas da Contoterapia®, divulgar os trabalhos com histórias que vem acontecendo por esse mundo. É uma forma de inspirar e não limitar o uso das histórias em um único contexto, como algo exclusivo, quando falamos de abordagens de cura e conexão. 

Vamos para alguns exemplos:

A Livraria Humana

A Livraria Humana – é uma organização e movimento internacional que começou em Copenhague, na Dinamarca, em 2000. Tem como objetivo abordar os preconceitos das pessoas, ajudando-as a conversar com aqueles que normalmente não se encontrariam.

Lá, as pessoas vão de livro ou de leitor. Quem é o livro, conta histórias biográficas para quem é o leitor. Utilizam uma técnica chamada storytrigger.

Combatentes pela paz

Combatentes pela paz – é uma ONG israelense-palestina e um movimento de base igualitário, binacional, comprometido com ações não violentas contra a “ocupação israelense e todas as formas de violência” em Israel e nos territórios palestinos.

Diversas pessoas participam desse trabalho inclusive ex combatentes que, devido ao seu conhecimento do território, organizam a entrada nas cidades dos dois países para contar histórias.

Lá, contam histórias biográficas de como entre eles, palestinos e israelenses, existe paz, e antes que o exército os possa alcançar eles finalizam a contação de histórias e partem.

Casa do Contador de Histórias

Casa do Contador de Histórias – um local para formação de contadores de histórias que incentiva o trabalho voluntário em escolas e instituições de saúde, se localiza em Curitiba no Paraná (e foi lá que eu comecei minha trajetória)

Instituto História Viva

Instituto História Viva – é um instituto que já formou mais de 3.500 voluntários para trabalhar em comunidade com as histórias

Associação Griots

Associação Griots – Os Contadores de Histórias são uma instituição sem fins lucrativos que desenvolve um trabalho intenso de contação de histórias em hospitais.

Há ainda muitos outros projetos que sequer chegam a ser publicados no mundo virtual. Uma das professoras da faculdade antroposofica aqui na Inglaterra, uma italiana que é a diretora da escola de contação de histórias na Itália. Ela realiza projetos de storytelling nos pequenos vilarejos, incentivando adolescentes a coletarem as histórias de vida dos mais idosos.

Em uma noite de apresentação, recontam essas histórias para a vila inteira, gerando vínculo e conexão na sociedade, além de todo um trabalho sistêmico que acontece como consequência.

Onde mais

Há os clubes de contação de histórias espalhados pelo mundo todo que contemplam uma vasta gama de profissionais, tanto contadores de histórias profissionais e performáticos quanto profissionais que utilizam as histórias em settings educacionais e terapêuticos.

Em Emerson College mesmo, durante minhas formações nos cursos de storytelling, muitos dos meus colegas eram profissionais do NHS. O sistema de saúde britânico (equivalente ao SUS no Brasil). Estavam lá para aprofundarem seus conhecimentos para usar a contação de histórias no ambiente de trabalho.

Eles são profissionais dos mais variados setores, desde psicoterapeutas que atendiam pacientes diretamente, quanto diretores que utilizavam as histórias para criar conexão com as equipes de trabalho. 

Exemplos de contoterapia no mundo – uso teórico

Além desses trabalhos que são realizados dentro do âmbito mais prático e “concreto” desse ofício de se usar contos e contar histórias, encontramos também muitas coisas no âmbito educacional, muitos estudos que relatam o uso dos contos e seus benefícios:

Corpo em Equilíbrio

Corpo em Equilíbrio. Oficinas de imunidade realizada pela conceituada Nancy Mellon. A partir de seu livro em parceria com Ashley Ramsden. Nele utiliza-se os conhecimentos da medicina tradicional chinesa, da arte terapêutica e do storytelling para contar histórias para nossos órgãos internos. Tive o prazer de estudar tanto com o Ashley quanto com a Nancy. 

Contoexpressão

Contoexpressão. A minha querida amiga Claudine Bernardes, na sua metodologia com contos chamada Contoexpressão utiliza a contoterapia

Sociedade Internacional de Hipnose

Sociedade Internacional de Hipnose. O artigo está em inglês e podemos saber como se dá o uso dos contos no contexto terapêutico

Histórias para Vida

Histórias para Vida. Um centro de aconselhamento em Berlin que utiliza contos de fadas, uma forma de terapia que usa o processo criativo para lidar com traumas e outros problemas emocionais. Essa metodologia é ensinada na escola de contos de fadas terapêuticos na Hungria

E mais

E isso que não postei sobre todos os artigos acadêmicos pelos quais passei. Na minha pós graduação em contação de histórias, nem todo o conhecimento adquirido em pesquisas. Além é claro das inúmeras outras coisas que desconheço, nesse mundo de contos e histórias. Também não mencionei que para além do fantástico trabalho da Clarisse Pinkola Estes.  Há tantos e tantos outros estudos, livros, artigos de profissionais de diversas áreas, no mundo ocidental e oriental. 

Ah, e isso tudo ai em cima nem sequer chegou perto de uma outra área que causa fascinação – a interpretação de contos.

Neste caso precisaríamos mencionar alguns autores e profissionais, como, Bruno Bettelheim, Mary Louise Von Franz.

Alem de Diana e Mário Corso, Rudolf Steiner, Heinrich Zimmer, Mircea Eliada. O incrível trabalho de construção de histórias de Alida Gersei e Nancy King.

O maravilhoso trabalho pedagógico de Sueli Pecci Passerini. O trabalho sistêmico de Brigitte Gross e Jakob Scheneider. O trabalho com metáforas na área de PNL da Vânia Lúcia Slaviero e tantos outros.

Concluindo

Poderíamos dizer que, de certa forma, todos estão praticando contoterapia, de um jeito ou de outro, mesmo que não usem esse nome.

Então é isso, torço para que esse texto tenha ajudado a clarear, na medida do possível, esse tema para você. Se você se interessou em saber as possibilidades aqui na Contoterapia® é só clicar on here.

Qualquer coisa entra em contato para trocarmos idéias. Prezo muito esses espaços de trocas pois neles encontramos a possibilidade de rever o que precisa ser revisto, crescer e expandir nossos mundos. 

Abraços

Anna Rossetto

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