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Onde você vem encontrando a resposta para o sentido da sua vida?

Contoterapia

Escrito por Anna Rossetto

18/01/2021

Quem conta histórias ou contos, honrando essa antiga arte da tradição oral sabe que para uma história ser memorável e realmente conectar é importante que ela esteja viva dentro do contador de histórias. Não são as palavras de um texto que são narradas, são as imagens.

Então, se narramos imagens, isso quer dizer que precisamos ver essas imagens, não é?

Sim. Criamos verdadeiros mundos com a nossa imaginação em algum lugar e é para lá que vamos quando contamos histórias, pois contamos o que estamos vendo e sentindo. Mas que lugar é esse? Bom, não posso dizer com certeza, afinal não existe ainda nenhuma tecnologia, pesquisa ou métrica que consiga superar a distância que existe entre pensamento linear e pensamento sistêmico. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Comprovar de forma linear algo que acontece de forma abstrata é algo que ainda não tive acesso, se é que um dia vou ter.
Nos resta então coletar essas informações do reino abstrato, imagético, astral, emocional, enfim, de forma empírica. Sim, outros já fizeram suas jornadas e nos deixaram suas indicações, como se fossem indicações de direção. Mas nada é garantido. Não tenho como replicar exatamente os mesmos passos e alcançar exatamente os mesmos resultados nesse mundo, dimensão, reino… não tem. Realmente há que ser corajoso para trilhar esse caminho. A jornada do herói é única para cada um de nós.

Nesse sentido

Quando falamos de contos de fadas por exemplo, lembro de Rudolf Steiner no seu livro “Os Contos de Fadas, sua poesia e sua interpretação” onde ele fala sobre a interpretação desses contos:   
 
Tais narrativas dos contos de fadas são experiências de pessoas do povo, que passavam por um estado de consciência intermediário, (parecido com esse estado do sono), da mesma maneira que os grandes mitos dos povos sobre os deuses são relatos das vivências dos iniciados no plano astral e em planos mais elevados. 
 
Os contos de fadas se diferenciam dos grandes mitos dos povos da seguinte maneira: os grandes mitos podem ser desvendados quando nos baseamos nas abrangentes relações do Cosmo, e os contos de fadas, nós os desvendamos quando nos baseamos nos mistérios do povo. Nos contos de fadas, tudo se apresenta de modo que as diferentes situações e imagens nada mais são do que a repetição do relato de uma vivência astral. Em determinada época primordial, todas as pessoas tinham essas vivências astrais. Depois, estas foram-se tornando cada vez mais raras. Umas pessoas iam contando para outras, as outras iam assimilando, e assim os contos de fadas foram de região em região. 
 
Eles aparecem nos mais variados idiomas, e em todo o mundo percebemos as semelhanças e as riquezas dos contos de fadas, quando conseguimos extrair as vivências astrais em que se baseiam. Uma pessoa sensível, ao andar hoje pelo mundo, talvez ainda encontre restos de uma clarividência atávica. Aqui ou ali encontrará alguém que lhe conte o que viu no mundo astral como experiência própria. 

Resultado

E como ele segue dizendo, esses contos foram sendo contados e coletados, muitas vezes por pessoas que não tinham essa clarividência de suas vivências no plano astral, chegando até elas a segunda, terceira, quarta, quinta versão e às vezes até a décima versão dessa história, já bem deturpada da original. Antigamente falava-se “Houve uma época em que as pessoas idosas contavam isto ou aquilo de suas vivências astrais. Onde foi? Poderia ter sido em todos os lugares.”
Penso que uma das maneiras de responder as famosas perguntas existenciais “Por que vim para cá? Qual a razão de ter nascido aqui? Qual meu propósito?” entre tantas outras do mesmo gênero, seja descobrindo o que há em comum nessas vivências relatadas nos contos de consciência noturna. No quanto consigo reconhecer e separar as questões de compreensão individual, da época, educação, etc, de percepção de mundo mesmo, daquelas questões universais que acima do momento falam do ser humano.
Reconheço que podemos escolher várias direções para responder essas questões existenciais, e todas são válidas. Como gosto muito de contos e histórias, há algo de uma liberdade primordial nesta habilidade de se mover entre os mundos que ninguém, ou nenhuma condição externa pode nos tirar, que me atrai. E você, já pensou para onde vem se movendo na sua vida para responder essas questões existenciais? Sim, porque conscientes ou não, nos movemos e estamos buscando aquilo que dá sentido para nossas vidas…
Já pensou utilizar o ofício do contador de histórias para experimentar esse movimento entre os mundos?
Abraços,
Anna Rossetto

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